O Dia Internacional da Mulher Rural, celebrado em 15 de outubro, destaca a importância da participação feminina no desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Cada vez mais presentes na gestão das propriedades, na pesquisa científica e nas decisões estratégicas, as mulheres ampliam seu protagonismo e contribuem para a inovação e a sustentabilidade no campo.
No Brasil, elas já representam 40% dos 10,7 milhões de produtores rurais que tomam decisões no setor, segundo o estudo “Perfil da Mulher do Agronegócio Brasileiro: 10 anos de transformação e avanços”, divulgado pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em outubro de 2026.
A pesquisa revela mudanças significativas no perfil das mulheres que atuam no agronegócio. Em 2015, 60% das entrevistadas possuíam ensino superior completo. Em 2026, esse percentual chegou a 77%, representando um avanço de 17 pontos percentuais em uma década.
Outro dado importante está relacionado à participação feminina na propriedade dos negócios rurais. Em 2015, 81% das entrevistadas eram proprietárias totais ou parciais. Em 2026, o índice alcançou 91%, evidenciando o fortalecimento da presença feminina na estrutura dos empreendimentos agrícolas.
Liderança feminina transforma o campo
O crescimento da participação das mulheres vai além dos números. A presença feminina nas decisões estratégicas, na administração das propriedades e na adoção de novas tecnologias contribui para transformar a dinâmica do setor.
Com maior acesso à formação profissional e ao conhecimento técnico, as mulheres ampliam sua atuação em diferentes segmentos, desde a produção agrícola até a pesquisa, o empreendedorismo e a gestão de negócios.
Essa transformação também é retratada no documentário “Polinizadoras – Mulheres que fazem o agro voar”, que acompanha a trajetória de 12 mulheres de diferentes regiões do Brasil, entre produtoras rurais, cientistas e empreendedoras.
A produção conecta histórias de mulheres que compartilham experiências, conhecimentos e práticas relacionadas à agricultura, à inovação e à sustentabilidade. O documentário tem estreia prevista para 18 de novembro, em São Paulo, com posterior distribuição por streaming.
A engenheira agrônoma e produtora rural Ligia Jung, uma das participantes, destaca a importância da colaboração e da diversidade de perspectivas no setor.
“A mulher sempre esteve no campo e não precisamos substituir o homem, mas somar nossos pontos de vista diferentes para fazer melhor”, afirma.
Mulheres impulsionam inovação e sustentabilidade
As trajetórias femininas no agronegócio demonstram como o conhecimento, a tecnologia e a colaboração podem contribuir para o desenvolvimento da atividade agrícola.
O aumento da escolaridade e da participação na propriedade dos negócios rurais reforça uma mudança estrutural, na qual as mulheres assumem responsabilidades crescentes na gestão e no planejamento das atividades produtivas.
O reconhecimento desse protagonismo ganha ainda mais relevância em 2026, declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Mulher Agricultora.
Mais do que celebrar conquistas, o Dia Internacional da Mulher Rural representa uma oportunidade de reconhecer a contribuição das mulheres para a produção de alimentos, a geração de conhecimento e a construção de um agronegócio mais inovador, diverso e sustentável.

