Por Leonardo Gottems – Agrolink
A defasagem do diesel amplia o risco de reajustes com reflexos nos custos do transporte rodoviário. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, a diferença chegou a R$ 3,53 por litro em 22 de outubro, acima da subvenção federal de R$ 3,52, com base em dados da Abicom.
Mesmo com o subsídio integral, o preço nas refinarias da Petrobras permanece abaixo da paridade de importação. O combustível acumulava 145 dias sem reajuste. Na avaliação do economista, quanto maior a diferença acumulada, mais concentrado tende a ser o ajuste quando ocorrer.
O Brent atingiu US$ 117 por barril na sexta-feira, enquanto o orçamento de 2026 considerava US$ 64. A receita adicional do petróleo vem financiando os subsídios. A XP estima gastos federais de R$ 9 bilhões por mês com a subvenção ao diesel e à gasolina e calcula o equilíbrio fiscal do programa perto de US$ 105 por barril.
Uma queda do petróleo para a faixa de US$ 80 a US$ 100 reduziria essa receita extra, mantendo a despesa e a defasagem acumulada. Já a alta do dólar amplia a diferença em relação ao preço internacional, mesmo sem mudança no petróleo. Para o agro, o risco está na pressão sobre o transporte rodoviário. A flexibilização fiscal que permite o arranjo vale para 2026, e sua extensão exige nova autorização do Congresso.
“O diesel entra na estrutura de custo de todo o frete rodoviário, e quanto maior o acúmulo, mais concentrado tende a ser o ajuste quando ele vier. Isso conversa diretamente com o IPA industrial que já vinha acelerando no atacado, e torna a decisão de ontem do conselho relevante além do balanço da Petrobras”, conclui.

