Por Leonardo Gottems – Agrolink
O lodo gerado no tratamento de água foi transformado em fertilizante de liberação lenta, com potencial de reaproveitamento na agricultura. Segundo a Embrapa, a tecnologia desenvolvida em parceria com a Sabesp apresentou resultados positivos em laboratório e em casa de vegetação.
O processo utiliza temperatura e pressão controladas para converter o resíduo em sodalita, mineral da família das zeólitas. Combinado com amido e ureia, o material forma grânulos que fornecem nitrogênio e potássio gradualmente. A estrutura mineral retém o alumínio, reduzindo a possibilidade de liberação desse elemento, que pode prejudicar as raízes.
Nos experimentos com azevém, a eficiência agronômica dos tratamentos com sodalita granulada foi de duas a três vezes superior à do controle. O capim-piatã também apresentou resposta favorável, mas com diferença menor. As avaliações consideraram produção de biomassa e absorção de nutrientes. Os grânulos também mantiveram viável a bactéria Bacillus megaterium por quase cinco meses, indicando potencial para armazenamento e aplicação de inoculantes. A formulação, porém, não foi adequada à incorporação do fungo Trichoderma asperelloides.
A Sabesp gera aproximadamente 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano em 208 estações paulistas. O transporte e a destinação custam, em média, R$ 300 por tonelada. A pesquisa levou quatro anos e envolveu mais de R$ 2,7 milhões.
A próxima etapa é buscar parceiros para um projeto-piloto industrial, ampliar a produção e validar o desempenho no campo. O eventual registro no Ministério da Agricultura e Pecuária também integra os procedimentos necessários.

