Por Leonardo Gottems – Agrolink
A queda dos preços internacionais do trigo exige cautela nas decisões de compra, venda e formação de estoques. Segundo análise da TF Agroeconômica, a orientação é priorizar vendas escalonadas e proteção das margens, sem apostar numa rápida recuperação das cotações.
Aos produtores, a consultoria recomenda aproveitar os preços físicos ainda elevados no Rio Grande do Sul e no Paraná para vender em etapas. Antes dos negócios, é importante comparar classificação, peso hectolítrico, proteína, frete, armazenagem e necessidade de caixa. Preços-alvo e instrumentos de proteção também devem ser avaliados.
Cooperativas devem separar os estoques por qualidade, direcionando cada lote ao comprador que melhor remunere suas características. A recomendação é distribuir as vendas no tempo e acompanhar Chicago, câmbio e colheita argentina. Cerealistas devem evitar compras especulativas, priorizar volumes com revenda definida e buscar alternativas para o trigo fora do padrão dos moinhos.
Para exportadores, a orientação é comparar preços internos, custos portuários, frete e câmbio, protegendo operações contra riscos de preço, qualidade e logística. Aos moinhos, são recomendadas compras graduais, comparação com a paridade de importação e análise rigorosa da qualidade, sem formar estoques excessivos.
O alerta ocorre após oito semanas consecutivas de queda do trigo nos Estados Unidos, maior sequência negativa desde 1997. A perspectiva de oferta expressiva na Argentina e as vendas externas norte-americanas abaixo do esperado ampliam a pressão. Ainda assim, conflitos no Mar Negro e riscos à qualidade da safra argentina podem provocar altas pontuais. No mercado físico brasileiro, os preços mostram acomodação após a valorização recente.

